terça-feira, 15 de outubro de 2013

Receitas Nordeste Brasil - Bahia


Arroz de Hauçá

Charque  0,150 Kg  
Arroz branco  0,150 Kg  
Leite  de  coco 0,060 L  
Alho  0,015 Kg  
Camarão  sêco  0,100 Kg  
Manteiga  de  garrafa  0,045 L  
Cebola  0,050 Kg  (brunoise)
Cebola 0,150 Kg  (juliene)
Sal a  gosto    
Azeite  de  Dende  2 Cs

Modo  de  Preparo:  
 1.  Na  véspera,  corte  o  charque  em  tiras  finas,  ponha  numa  tigela,  cubra  com  água  fria  e  deixe  de  molho  durante  a  noite.    
2.  No  dia  seguinte,  escorra  o  charque.  passe  para  uma  panela,  cubra  com  a  água,  leve  ao  fogo  alto  e  deixe  ferver.  Abaixe  o  fo go  e  continue  o  cozimento  até  a  carne   ficar  macia.  Tire  do  fogo,  escorra  e  reserve.  
3.  Prepare  o  arroz:  ponha  o  arroz  e  a  água  e  leve  ao  fogo  médio  para  cozinhar,  sem  nenhum  tempero,  mexendo  sempre  para  que  fi que  grudento.   5.  Quando  o  arroz  estiver  parcialmente  cozido,  acrescente  o  leite  de  coco,  misture.  A  consistência  do  arroz  deve  ser  grudada.     
6.  Enquanto  o  arroz  cozinha,  prepare  o  molho:  numa  frigideira,  coloque  o  dendê  e  aqueça  em  fogo  médio.  Junte  a  cebola  (brunoise)  e  cozinhe  até  ficar  macia.   Acrescente  os  camarões,  misture,  tampe  a  panela  e  cozinhe  em  fogo  brando,  juntando  água  aos  poucos,  se  necessário,  até  os  cam arões  ficarem  macios.  Tire  do  fogo   e  reserve.    
7.  Preparo  do  charque.  numa  frigideira  grande,  coloque  o  manteiga  de  garrafa,    cebola  (juliene)  e  o  alho  amassado,  leve  ao  fogo  alto  e  frite,  mexendo  até  a  cebola   dourar.  Retire  a  cebola  e  reserve.  Coloque  na  mesma  frigideira  o  charque,  aos  poucos,  e  frite  até  dourar.  Junte  a  cebola  e  misture.    
ATENÇÃO:  Na  apresentação,  o  arroz,  a  carne  e  o  camarão  devem  estar  juntos,  porém  sem  
misturar.  

Sarapatel de Miúdos de Frango

Coração  de  frango  0,100 Kg
Moela  de  frango 0,100 Kg
Figado  de  frango 0,100 Kg  
Cebola  pequena  1 Unid   
Alho   2 dentes
Tomate  maduro 1 und.
Pimentão  verde  médio ½ und.
Folha  de  louro 1 und.
Pimenta  de  cheiro 1 und.
Pimenta  do  reino a gosto
Sal a gosto
Extrato  de  tomates  2 Cs
Óleo  de  soja  2 Cs

Modo  de  Preparo:        
1.  Retira  o  excesso  de  gordura  dos  miúdos  do  frango,  aferventa  e  corta  em  cubos  (marcedoine).  Resereva  
2.  Refogar  a  cebola,  o  alho.  Acrescentar  o  tomate,  o  pimentão,  a  folha  de  louro,  continuar  refogando.      
3.  Acrescentar  os  miúdos  reservados,  refogar.  Acrescentar  o  extrato  de  tomates.  Colocar  água  quente.  Colocar  a  pimenta  de  cheiro  inteitra.    
4.  Corrigir  sal  e  pimenta  do  reino.     

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Bahia - Região Nordeste/ Brasil

Visão aérea da orla de Salvador



As ladeiras do Pelô
O post precisa começar assim: a Bahia faz parte do nordeste do Brasil, sim senhor. Então porque é que o post da Bahia está fora da página da região nordeste??? Acontece que como disse a música... “Acontece que eu sou baiano...” Então me responda qual o baiano em sã consciência vai falar bem pouquinho do seu estado natal, local com uma das comidas mais singulares, reverenciadas e apreciadas de todo o país?
Falar de Bahia sempre é um prazer. Eu, Larissa, sou mestre em Cultura pela UFBA e meu tema de pesquisa é comida baiana, mas precisamente esta interconexão que faz da comida baiana um, perdão pelo trocadilho, prato cheio para a baianidade e vice-versa. A intensão não é fazer um post do tamanho do mundo, mas é mostrar que a Bahia não se restringe ao Recôncavo e que, em se tratando de Recôncavo, a alimentação baiana não se restringe ao dendê.
Para fazer você se apaixonar por São Salvador da Bahia, porta de entrada da terra onde o Brasil foi descoberto, e primeira capital do país vamos usar do recurso que faz bem a vista e a alma – fotos. Fotos de comida e da nossa bancada (e também de alguns fotógrafos talentosos) em pontos turísticos de Salvador e da Bahia porque o estado possui 417 municípios e explorar alguns deles vale muito a pena. Afinal, como diria Fernando Pessoa (o poeta mais lusófono que conheço): “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Questões importantes:

Por que chamamos a Bahia de Bahia, quando muitas vezes nos referimos a Salvador?

A Bahia é um dos nove estados da região nordeste do Brasil. Trata-se de um estado grande, com uma extensão de 564.692,67 km², 417 municípios e uma das capitais mais populosas do país. Pela sua dimensão, a Bahia é cheia de diferenças e também contrastes que variam de acordo com o clima, proximidade geográfica com outras regiões, ou até mesmo da origem dos colonizadores de cada uma dessas áreas, que, de tão vasta, poderia ser comparada, em termo de extensão, ao tamanho de um país, a exemplo da França. O estudioso baiano Thales de Azevedo propôs estudar a Bahia dividindo-a em seis subáreas com características próprias, a capital Salvador e recôncavo dos antigos senhores de escravos; a região nordeste do sertão e cangaço; o sudoeste do cacau; o planalto central das lavras diamantinas; o vale do São Francisco; e o planalto ocidental.
A dúvida sobre o motivo pelo qual se fala a todo o tempo de Bahia, quando na verdade tem-se a intenção de falar de apenas uma parte desse todo, é pertinente. Desde tempos remotos, convencionou-se chamar assim a cidade do Salvador, fundada em 1549, a primeira do império português nas Américas. O termo sempre foi muito utilizado por viajantes vindos de capitanias hereditárias próximas e menos desenvolvidas, como Porto Seguro, Ilhéus e Ilha de Itaparica, as quais, posteriormente, foram incorporadas ao que hoje corresponde ao território do estado da Bahia, assim como por pessoas de outras regiões mais distantes do império, quando vinham à capital. O fato de Salvador ser banhada pela Baía de Todos os Santos, que dá nome ao estado como um todo, é uma das explicações plausíveis para que esse costume, que se configura até os dias atuais entre estudiosos, representantes do trade turístico e a população brasileira de modo generalizado, seja ainda amplamente difundido.

O que tem mais pra comer além de dendê?
            Tudo o que se come no Brasil, porque dendê é que é a exceção, comida para dia especial, de festa na casa das famílias – a exemplo da Semana Santa e o caruru de Cosme e Damião. Acarajé e vatapá diários, como ronda o imaginário popular, são alimentos apenas ligados ao turismo nos restaurante denominados típicos, tabuleiro das baianas, na sexta-feira nas comidas a quilo, assim como também na religião, através das comidas votivas do candomblé. O baiano médio come muito arroz com feijão, alguma proteína animal, farinha e a depender uma saladinha de alface. Tem muito saída os pratos de frutos do mar, principalmente crustáceos, na Ilha de Itaparica e no Baixo Sul, influência do sul do país na região oeste – celeiro agrícola e muita culinária sertaneja em todos os locais de vegetação árida, com destaque para o peixe de água doce na região do São Francisco,  o bode, o umbu, a palma e os doces de corte. Independente das particularidades o consumo de pão é alta e cada vez mais os baianos têm ingerido mais café – há plantação no sudoeste e na chapara mas geralmente não é para o mercado externo. O consumo de frutas, leguminosas e, por exemplo, de tubérculos, varia de acordo com a classe social e a região onde se vive, já que frutas típicas e as grandes diferenças climáticas no território baiano influenciam na disponibilidade e predileção por certos grupos alimentares. As comidas típicas, mesmo as sem dendê seguem na sequencia.

Considerações sobre os principais Pratos da Cozinha baiana a partir dos livros: A arte culinária na Bahia de Manuel Querino; A cozinha bahiana – seu folclore, suas receitas de Hildegardes Vianna; Caderno de Xangô de Sodré Viana; Cozinha Bahiana de Darwin Brandão, Candomblés da Bahia de Edison Carneiro e a Culinária Afro-baiana de Guilherme Radel (trecho da dissertação Pitadinha de Dendê de Larissa Ramos – todos os direitos reservados)

Abará - Sodré Vianna denomina de abalá e não menciona a mistura do camarão seco na massa. Hildegardes Vianna reconhece as duas grafias. Apesar de nenhum deles primar pelas quantidades, no quesito detalhamento, a folclorista é a que passa mais informações. Ela assinala a importância da grande quantidade de azeite de dendê – componente marcante dentro da comida baiana, e por isso mesmo muito explorado pelo discurso da baianidade –, para amaciar a massa, e também a destreza no contato com a água, que pode vir a solar o abará. Manoel Querino é muito breve ao falar sobre o abará, o qual ele lista entre os alimentos puramente africanos, citando a pedra de ralar como utensílio para moer o feijão. A receita de Darwin Brandão é muito semelhante à de Sodré Vianna, inclusive no “esquecimento” do pó de camarão seco na massa, bem como dos camarões inteiros usados para enfeitar, comum nas casas de candomblé, mas não nas baianas de rua. Ao contrário da receita de Guilherme Radel, todos falam em banho maria.
Aberém - bombom de milho
Aberém - Hildegardes Vianna revela em notas que “deve haver alguma particularidade no preparo do aberém. Todos os meus informantes tinham sempre uma reticência e não desciam a pormenores esclarecedores” (1955, p.118). Trata-se de um aspecto que volta ao segredo dentro da culinária baiana, muito presente para a unicidade e magia da cultura, como é recorrente dentro do mito da baianidade. O segredo em torno dos “bombons” de milho, que, como disse Manoel Querino são servidos “[...] com caruru e também com mel de abelhas” (QUERINO, 2006, p.30) também está no fato de eles não fazerem mais parte da atual culinária baiana servida fora das festas nos terreiros de candomblé. Querino, talvez pelos não dizeres do candomblé, não chega a mencionar a existência de dois tipos de aberém, feitos a partir dos milhos de cores diferentes, apesar de apontar a diversidade; Sodré Vianna não evolui para dizer como cada tipo seria utilizado. Além de fazer a distinção, Hildegardes Vianna contribui para o entendimento no trato das folhas de bananeira utilizadas em muitas receitas. Darwin Brandão não menciona essa comida.
Acarajé - Alguns detalhes para o preparo do bom acarajé, como o tipo ideal de panela para fritá-lo (a de barro), que só é mencionada por Querino, a quantidade necessária e a troca de azeite não são mencionados pelos autores pesquisados, apesar de todos serem unânimes ao mencionarem a receita do molho de pimenta que acompanha o acarajé, no qual também está presente o dendê. Hildegardes Vianna acrescenta um detalhe sobre a técnica das baianas para descascar o feijão no ato de moê-lo na pedra, e Manoel Querino traz algumas valiosas observações sobre como algumas pessoas ainda preferem a pedra de ralar, utilizada durante muito tempo no preparo do acarajé e de outras iguarias baianas, o que legitima a ideia de um passado melhor do que o presente, saudosismo acerca de como eram feitas as coisas, tão bem explorado pela baianidade, através desses pequenos detalhes que passam despercebidos. O preocupante é que alguns autores, como Sodré Vianna, e posteriormente Darwin Brandão, com uma receita espantosamente semelhante àquela apresentada por Jesovi, até mesmo na grafia, deturpam a receita de um dos mais tradicionais pratos da comida baiana, adicionando ingredientes, como o camarão seco na massa, e alterando o tamanho, informando que seriam espécies de bolinhos de bacalhau, muito menores. O que realmente tem um tamanho menor é o acarajé feito pelas baianas para permanecerem no tabuleiro, como oferenda, e o acará servido na comida votiva de Iansã, mas não aquele comercializado tradicionalmente. Darwin Brandão traz uma nota explicativa que teria a intenção de esclarecer melhor uma das particularidades dessa comida.
Aluá - Somente Hildegardes Vianna e Manuel Querino trazem essa receita, que já não é vista fora dos terreiros de candomblé. O estudioso precursor se demora mais em explicar as propriedades de fermentação do que propriamente em dar detalhes de mais uma das receitas puramente africanas. Para ele, à água depois seria acrescentada rapadura, enquanto Vianna se refere ao açúcar. Ambos reconhecem também a grafia aruá sobre a qual Vianna acrescenta.
Amalá - Apesar de citar muitas comidas votivas que não aparecem nos trabalhos dos colegas, Querino não menciona o amalá. Entre os textos pesquisados encontra-se apenas a palavra “Omalá”, trazida por Edison Carneiro como “caruru especial de Xangô”(CARNEIRO, 2008, p.159). Trata-se realmente de uma comida votiva que, até mesmo nas festas dos terreiro, não costuma ser servida para o público, sendo às vezes apenas uma oferenda para o orixá do trovão.
Angú - De todos os livros pesquisados, o de Hildegardes Vianna é o único que traz observações sobre essa comida que, dada a simplicidade de ingredientes, sempre foi muito consumida pela população baiana. Ele pode ser classificado como uma espécie de pirão e, segundo a folclorista, seria acompanhamento para comidas de azeite, carnes fritas e assadas.  
Angú também é comida baiana
Arroz de Hauçá - Todos citam o uso da carne, que apesar de receber nomenclaturas diferentes – charque, para Manoel Querino e Sodré Vianna (este grafa com “x”), e carne de sertão, para Hildegardes Vianna e Darwin Brandão –, trata-se do mesmo ingrediente, a carne desidratada nordestina que deve ser frita e jogada por cima do arroz que deve ser ligado. Manoel Querino diz que não se deve usar sal no cozimento do arroz e tanto ele como Hildegardes Vianna revelam truques para que o arroz fique ligado: em Querino a utilização do pó do arroz e em Vianna cozinhar com a panela destampada que deve ser eventualmente mexida, o que não aconteceria caso se estivesse fazendo um arroz para o consumo cotidiano. Outra particularidade de Querino é que ele é o único a mencionar a utilização do molho com azeite, pimenta malagueta seca e camarões, o que também se encontra em Radel. Em Caderno de Xangô, Jesovi acrescenta uma anedota ligada a Ruy Barbosa, que num certo jantar teria divagado sobre o nome “arroz de hauçá” – advindo da tribo africana como “[...] uma corruptella de ‘arroz de água e sal’. Os pretos, na sua maneira de engulir [sic] letras, diziam ‘arroz de áua e sá’, donde ‘arroz de aussá’” (VIANNA, 1965, p.46) –, reflexão que teria deixado os convidados maravilhados.
Bobó - Todas as receitas são do bobó de inhame, o mais tradicional, apontado por Manuel Querino como uma receita tipicamente africana. Ele só fala no tempero desse prato com o efó, que está destacado como outra receita do livro, mas observando que leva, além da folha, camarão seco ralado, pimenta malagueta e o que ele denomina de azeite de cheiro, ele se aproxima do que é dito por Sodré Vianna, embora no trabalho do jornalista o ponto do prato seja mais bem explicitado. Apenas em Hildegardes Vianna aparece a presença dos camarões inteiros na massa e as variações com fruta-pão e aipim, como atualmente é consumido. Em nenhum momento as receitas falam do leite de coco, um ingrediente que hoje já faz parte das receitas de bobó (geralmente de camarão, apesar de Querino mencionar o efó temperado com peixe, que também poderia vir a fazer parte do bobó de inhame proposto por ele). A participação de Darwin Brandão não será mencionada porque sua receita aparenta ser basicamente uma cópia da que foi publicada por Manuel Querino.
Caruru - Querino, com seus hiatos nos relatos sobre o passo a passo da culinária votiva, deixa sérias dúvidas sobre a elaboração do caruru, que são repetidas por Sodré Vianna e Darwin Brandão. Ao afirmar que “em seu preparo observa-se o mesmo processo de efó [...]” (QUERINO, 2006, p.27), o autor levanta sérias questões, porque, apesar de também se admitir, tanto em Querino quando em Hildegardes Vianna, a utilização de diferentes tipos de folhas para a elaboração do caruru, sabe-se que o mais tradicional sempre foi o de quiabo; além disso, legumes e folhas têm diferentes particularidades. Ao preferir não detalhar qual o segredo do caruru, Querino deixa dúvida se dentro da comida votiva ele realmente tem esse modo de feitura diferenciado ou apenas não poderia revelar algum segredo do fazer culinário para fora das cozinhas das iabassés. O fato é que, sendo o quiabo um elemento de viscosidade alta, ele não deveria ser cozido em água como as folhas do efó, para depois passar pelo processo de tempero. Mais acertada seria a versão de Hildegardes Vianna, que propõe que os quiabos, “[...] cortados em cruz no sentido longitudinal e depois então em rodelinhas bem finas”( 1955, p.58) deveriam ser cozido em caldo de peixe seco (tanto ela quanto Querino também admitem em caldo de carne, como não se vê atualmente) e com temperos. Ela menciona a castanha, utilizada até hoje, e semente de abóbora, em desuso, referindo-se também a temperos inusitados, como o quiôiô e o catassol, os quais explica em nota.
Ebó - Comida votiva, extremamente ligada a oferendas dos orixás e servida basicamente em festas, dentro dos terreiros de candomblé, como complemento de um outro prato, o ebó só mereceu menção em Querino, dos quatro pesquisadores o único que realmente tinha proximidade com o candomblé. Querino conta que o milho deveria ser pilhado e que poderia ser servido adicionado de azeite de cheiro ou do ouri, o que denota variações a depender de qual orixá se queira agradar, já que, como diz a gente do azeite, na comida de Oxalá, um dos orixás mais importantes, não vai dendê.
Está cada vez mais difícil de achar efó
Efó - Querino fala em efó feito de língua-de-vaca e taioba e, seguindo esses passos também estão Sodré Vianna e Darwin Brandão. Apesar de reconhecer a preferência por ambas, Hildegardes Vianna também fala em quioió, capeba, bredo de Santo Antônio, mastruço, sabugueiro, erva de Santa Maria, além do efó de folha de mostarda, que receberia o nome de Lelé. Mais uma vez, a folclorista recomenda o uso do alho para o tempero da comida baiana e Sodré Vianna é quem, dessa vez, recomenda o coentro. Outro deslize do jornalista é a recomendação do corte das folhas após o cozimento, quando o passo empregado deveria ser a secagem da massa. Tal problema também é encontrado em Darwin Brandão, que também indica a utilização do peixe, quando o trabalho de Hildegardes e Querino são claros ao se referirem ao peixe como item opcional. A pesquisadora e Sodré Vianna listam o arroz branco e o acaçá para servirem de acompanhamento; ele também fala em aberém. Atualmente, o efó é um prato pouco oferecido fora das casa de candomblé.
Farofa - Hildegardes Vianna é a única que cita a farofa – que ela grafa acrescida da letra “i” (farofia). A mais baiana de todas, a de azeite de dendê, que é citada nos livros, mas estranhamente não mencionada como receita, está entre elas. Ela sugere que se frite primeiro o azeite, mas não aponta nenhum tipo de quantidade, e dá uma dica sobre o ponto, que seria “ficar torradinha”, mas não entra em detalhes, o que, ao contrário de em muitos outros pratos, não teria tanto mistério, já que a farofa, independentemente do acompanhamento, que pode lhe dar características mais regionalizadas, é um prato nacional.
Feijoada - Todos os autores falam do emprego de variados tipos de carne e da necessidade de fazer a comida de véspera. Apesar de na atualidade se encontrar muita feijoada de feijão preto (tipicamente carioca) na Bahia, todos os autores são unânimes em dizer que na feijoada baiana o feijão é o mulatinho – isso até a década de 1950, quando pelo menos a primeira edição de cada um dos livros pesquisados já tinha sido lançado. O único que realmente se arrisca a falar especificamente de diferença dos tipos de feijoada é Darwin Brandão, que escreve: “Como é fácil de observar, a feijoada bahiana é bem diferente da do Sul; não leva verduras e é feita com feijão mulatinho” (BRANDÃO, 1948, p.31). O primeiro ponto apresentado pode ser questionável, uma vez que o registro de feijoada que tipicamente leva vegetais é a sergipana. Apesar de toda essa defesa do feijão mulatinho, Querino menciona que, na época em que escreveu, já tinha gente que preferia o preto, num dos pratos que ele classificou como tradicional da Bahia, proveniente “[...] do regime alimentar português alterado e melhorado pelo africano” (QUERINO, 2006, p.35).  
Feijão - Para Manoel Querino, no feijão de azeite de dendê (humulucú) é sempre empregado o feijão do tipo fradinho, o que faz parte do sistema alimentar puramente africano. Para Hildegardes Vianna há também a opção da utilização de feijão mulatinho. Os temperos sugeridos por ambos são parecidos, com a exceção do alho, proposto por Vianna. Já o feijão de leite é classificado por Querino como pertencente ao sistema alimentar baiano. Querino, Hildegardes e Darwin Brandão reconhecem o emprego tanto do feijão mulatinho, quanto do feijão preto na massa, que leva açúcar e leite de coco. Vianna e Querino sugerem o prato como acompanhamento de peixe.
Maniçoba - Em Darwin Brandão se encontra a seguinte nota sobre a maniçoba:
Mocotó - “É uma das refeições mais apreciadas pelo povo baiano e ainda pela classe abastada” (QUERINO, 2006, p.41) – assim começa Manoel Querino a falar sobre mais um dos pratos que classifica como baiano. É interessante notar que, nessa segunda parte do livro, as receitas ganham detalhes mais minuciosos, como a necessidade de abrir a unha ao meio para lavagem com limão. A receita aparece nas quatro obras, com ingredientes e modos de preparo semelhantes. Hildegardes Vianna acrescenta o detalhe de que o mocotó também pode ser feito ensopado ou com feijão branco. Todos mencionam que a comida deve ser servida com pirão feito do próprio caldo.
Moqueca - Manuel Querino cita três tipos, Sodré Vianna quatro, Hildegardes treze e Darwin Brandão quatro, que chama de muqueca, com “u”. Todos são unânimes em citar a moqueca de peixe, mas uma das que mais fazem sucesso na atualidade, a de camarão, só é mencionada por Hildegardes e Sodré Vianna – este sugere também o acréscimo de ostras. À moqueca de Manuel Querino não é acrescentado o leite de coco, nem para a de peixe e nem para a de ovo. Para a moqueca de xaréu, ele indica a substituição do dendê pelo azeite doce (de oliva), mas não explica o porquê, informação encontrada apenas em Hildegardes Vianna: “[...] porque não toma gosto e fica todo coalhado” (VIANNA, 1955, p.117). A grande diferença entre ambos está na utilização do leite de coco, que é visto com frequência nos diferentes tipos de moqueca de Vianna. Já em Sodré Vianna já há a admissão de que as pessoas acrescentem o coco às moquecas, e em Darwin Brandão há um certo tipo de confusão, quando assume que a muqueca de bacalhau leva coco e a de ovo não pode levar o leite, sem ao menos dar uma explicação lógica sobre essa recomendação. Acredita-se que realmente se trate de um costume que foi se modificando até virar cada vez mais recorrente para, na atualidade, chegar a ser quase obrigatório num dos pratos mais famosos de comida baiana, independentemente de qual o ingrediente principal eleito. É Hildegardes Vianna quem melhor define os acompanhamentos da moqueca:
Mungunzá - Apesar de os livros serem muito centrados na culinária salgada, três deles trazem não apensa uma, mas duas receitas do mingau de milho branco com leite de coco, que no sul do País recebe o nome de canjica – Querino foi o único que não se rendeu aos “encantos” do mungunzá. Além do tradicional, feito para se beber, chamado por Sodré Vianna e Drawin Brandão de mungunzá de colher, também há espaço para o mungunzá de cortar. O primeiro é até hoje muito consumido e apreciado nas refeições e também como lanche, além de ter presença típica na festa de São João em todo o interior da Bahia.
Sarapatel - Ninguém tece grandes comentários sobre essa iguaria, que também é consumida em outros locais do País. Talvez por isso, Darwin Brandão tenha decidido deixá-lo de fora do cardápio de comidas tipicamente baianas. O fato de estar presente dentro de um livro tão criterioso como o de Querino pelo menos ajuda a comprovar seu largo consumo em terras baianas. Três detalhes, cada um encontrado numa obra distinta, valem ser mencionados: segundo Querino, o prato só deve ser temperado pouco antes de ser ingerido; Sodré Vianna complementa o raciocínio avisando que sarapatel bom é feito de véspera; e Hildegares avisa que sarapatel se come com farinha – informação interessante de ser mencionada, mas que não se mostra como nenhuma novidade para quem conhece os hábitos alimentares dos baianos.
Vatapá - Nenhum dos pratos apresentados até o momento chega a provocar polêmica quanto a ser classificado por Manuel Querino como puramente africano ou do sistema alimentar baiano. O único deles é o vatapá, que, além de se caracterizar pela sonoridade diferente de seu nome, é também sempre mencionado juntamente com outras iguarias como o acarajé, abará e caruru. É interessante assinalar que Querino grafou o nome do prato com “vatapá de galinha”, ao que acrescenta, como comentário no final do texto, que o prato é artigo de mesas elegantes. Se com isso Querino quis fazer alguma distinção de algum outro tipo de vatapá servido na comida votiva, ainda não se sabe e precisa ser pesquisado. O fato é que a galinha já não é mais ingrediente típico para a feitura do vatapá. Darwin Brandão reconhece isso em nota: “[...] ele pode ainda ser feito de galinha, mas não é mais usado assim” (BRANDÃO, 1948, p.30). Tanto Querino quanto Hildegardes Vianna admitem a incorporação de caldo de ave ou de peixe (garoupa). A autora ainda cita o vatapá de fato e de milho.  Ela é a única a citar a incorporação da castanha e do amendoim, que dão um sabor todo especial ao prato, além do gengibre, que também é citado por Brandão.
O tradicional xinxim de bofe


Xinxim - As grafias referentes a esse prato são várias: Querino se refere a “xinxim”, uma comida votiva feita com galinha, e que, além de azeite e camarão, seriam acrescidas sementes de melancia ou abóbora raladas na pedra. Sodré Vianna e Darwin Brandão também só trabalham com a possibilidade de um tipo de ingrediente, mas apresentam uma grafia diferente – “chin-chim”. As receitas também não apresentam nenhuma grande variação do que já havia sido proposto por Querino. Hildegardes menciona seis tipos do que ela chama de “chin-chin”, um dos quais tem nomenclatura diferenciada, a cabidela, ou chin-chin de miúdos da galinha. Para definir o chin-chim,  autora opta por diferenciá-lo da moqueca:

A diferença entre moqueca e chin-chin está no preparo, embora no gosto se confundam. A moqueca é temperada com sal, coentro, salsa, tomate, cebola pimenta, alho, azeite de dendê. Fica com caldo. O chin-chin com sal, cebola, alho, pimenta, camarão seco, azeite de dedê. Fica seco, dobra-se a quantidade de cebola ralada. A moqueca em geral leva leite de coco. (VIANNA, 1955, p.59).

O grande diferencial de Vianna é refletir, pensar os pratos, dando muito mais informações para o leitor do que os outros autores; mas a partir desse estreitamento, alguns pontos polêmicos como a incorporação ou não do leite de coco em moquecas passam mais facilmente para pessoas de fora da cultura ou da época na qual a pesquisa foi escrita do que outros que podem estar se baseando em preceitos muito mais fidedignos. Seja por falta de oportunidade, seja pela proibição religiosa, no caso das comidas votivas, ou por qualquer outro motivo, o fato é que quem consome essas receitas, mesmo apenas em forma de leitura, sente-se mais atraído por esse tipo de informação, algumas vezes até caricatural, ponto de encontro que é muito bem aproveitado pelo discurso da baianidade quando explora o imaginário ligado à comida baiana.

Larissa em Porto Seguro criança
Mais uma vez em PS, já adolescente

Uma das inúmeras viagens à Chapada Diamantina - onde provei cortadinho de palma




   

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sobre o Nordeste do Brasil...




Região Nordeste

Resolvi fazer este post diferente, uma vez que já visitei a grande maioria das capitais nordestinas. Vai aqui a minha lembrança do que vi, comi e/ou estudei sobre cada uma delas – então o que se destaca mais propriamente é o turismo. A referência é de baixo para cima, como se espera de um baiano que sai para desvendar os vizinhos de região brasileira. No fim do post tem algumas (poucas) fotos.

Museu da Gente Sergipana
Sergipe do mês retrasado – A capital Aracaju é a maior cidade. Fui até lá justamente este ano, depois de um jejum de mais de 15 anos (sem entregar a idade, claro). Quem vai de carro para lá passa por muitas praias (o estado é pequeno, mas tem uma boa dimensão de litoral). O que me chamou a atenção no trajeto foi a distância que algumas vezes saímos do litoral para chegar até a Aracaju, acho que para tirar esta dúvida só conversando com algum engenheiro de estrada e rodagens do governo sergipano. Apesar de ser a capital Aracaju é pequena, simpática e aprazível. Os congestionamentos são suaves e se tem a impressão de estar veraneando. A água da praia é barrenta (por causa do Rio), mas o visual é bonito e a orla bem cuidada. Há muitas opções de restaurantes tanto para quem gosta da cultura nordestina com carne seca, abóbora, carne no sol de ótima qualidade, a cultura do cajueiro e tem também a parte de frutos do mar. Comer caranguejo/ guaiamu na praia da Atalaia é uma grande experiência. Uma outra opção é a feijoada sergipana, com legumes. Algo que realmente me encantou foi o Museu da Gente Sergipana (www.museudagentesergipana.com.br), lá tem uma parte forte sobre os repentes, igrejas e gastronomia. Vi um documentário sobre a queijada sergipana – uma aula de cultura.


Alagoas de 10 anos atrás– Fui à capital Maceió há mais de dez anos em uma viagem de carro até Fortaleza. Muita coisa deve ter mudado por lá, mas a impressão foi das melhores apesar de a fama de cidade de extrema violência e machismo, terra dos manda chuvas da família Collor de Melo... Fiquei em um hotel na orla durante o fim de semana. Fiquei encantada com o passeio de jangada e as facilidades turísticas que eles oferecem na orla. Lembro que a estrutura do shopping era boa, mas parecia sempre apinhado, como nas outras cidades do nordeste, a classe média concentra as atividades de lazer no binômio praia/ shopping. Durante a nossa última aula sobre Brasil o nosso professor Chicão falou algo bem interessante de uma viagem a Maceió – confesso que não lembro – que concentra em um pequeno pedaço mais classe média na orla e o resto a situação é mais carente, já próximo à Lagoa de Mundaú que circunda parte da capital – pro isso por aqui também tem praias salobras, mas locais lindíssimos como a praia do francês valem a viagem. Ele falou desta situação para narrar uma história engraçada de que foi atrás de uma iguaria que viu na televisão chiclete de camarão (que nada mais era do que camarão com queijo) e quis provar. Fiquei curiosa e fui caçar na internet mesmo a tal da receita que pasmem é realmente indicada como atrativo turístico – segue dois links para provar o fato (http://blog.tnh1.ne10.uol.com.br/nidelins/2013/01/05/chiclete-de-camarao-bem-nascido-na-praia-do-frances/ http://www.youtube.com/watch?v=8PIBbHFpXco) porque assim como nos outros estados Alagoas tem tanta comida de qualidade – a Farinha é famosíssima – para pegar carona em uma receita tão pobre. Prefiro os quitutes, a comida nordestina e os frutos do mar. Um dado – o principal produtor de sururu do nordeste é Alagoas.      

Bolo de Rolo
Pernambuco de meus pais– Pernambuco está no meu DNA. Sou filha de pai de Petrolândia, inundada pelo Rio São Francisco, e de mãe do Recife, assim como eles mesmo dizem por lá. Fui criada, pelo menos até os 11 anos, indo, religiosamente de carro, todo fim de ano para Olinda, quando as estradas eram muito piores e se levava muito mais tempo para chegar aos lugares (tá certo que os engarrafamentos e números de carro também eram muito menores...) e na época era um suplício, mas não tinha jeito. Tinha que enfrentar 12 horas com meus pais e minha irmã no carro para ver minha avó, meus “titios” e primos. Cresci ouvindo tu, pensando que “lelê” se chamava “xerém” e que “beiju” se chamava “tapioca”. Baianidade pra mim era só da porta pra rua. Minha mãe voltava pra casa sempre com um rala coco que as doceiras usam nas ruas do Recife antigo que ficavam encantadas como os Pernambucanos ralavam coco muito mais facilmente que os espertos baianos. Sou fã de doce e percebi já no mestrado que a cultura açucareira, tão bem descrita na obra do pernambucano Gilberto Freyre, é mais presente no estado de meus pais do que qualquer outro. O bolo de rolo das tardes de sábado, o cartola que minha vó pedia de sobremesa quando visitava, além da macaxeira, da manteiga de garrafa e da carne do sol, eram reminiscências culturais que vinham de quilômetros de distância e durante a infância eu nem me dava conta. Já na vida adulta, com muitas visitas para visitar a família e ida ao consulado americano que insiste em não abrir em Salvador (mas isso é outra parte da história), vi uma Recife cultural, orgulhosa de suas raízes, com o centro histórico preservado, artistas consagrados, a renda em alta e a cultura da noite e da alta gastronomia muito interessantes. De negativo ficou a violência e os constantes ataques dos tubarões. Passei momentos fantásticos nas praias do Recife que não voltarão mais... Dica – Porto de Galinhas, Porto de galinhas, Porto de Galinhas – é perto, a estrada é boa e vale muito apena.

Paraíba de Fernanda – Sabe aquela música: “Paraíba masculina mulher macho sim senhor... Olê mulher rendeira....” Ela me lembra mais a Paraíba do que a própria Paraíba. Assim como muitas capitais do nordeste, a lembrança de João Pessoa e de Campina Grande (mais uma vez cito o professor Chicão para falar da importância desta cidade para o estado, maior e mais representativa até do que a capital) não me é mais vívida só que morei os últimos três anos com uma amiga do mestrado que veio de lá só para fazer um estudo comparativo do nosso centro histórico com o centro histórico deles (a grosso modo ela concluiu que o nosso modelo não deve ser seguido, sob o risco deles também se darem mal) e numa destas reviravoltas da vida terminamos dividindo apartamento. Ela é muito bairrista, eu não sou nada. Ela ama o forró de lá, eu não sou nada axé e para completar a avó dela ainda borda renda renascença, reverenciada como primor de elegância e bom gosto em todo o país e agora até no exterior, com uma maestria dos deuses. A boa notícia é que até o próximo mês eu vou ganhar uma destas peças. Espero honrar tal espécie da cultura paraibana que passados três anos aprendi a conhecer e apreciar um pouquinho mais. Para mim a Paraíba é assim: tranquila, cheia de gente séria e trabalhadora, que gosta de cana e tem um sentimento de cultura nordestina ainda mais arraigado. Quem vive em João Pessoa acha que a capital, com o mar, é o melhor (aprendi que lá o carangueijo leva leite de coco). Já quem vive em Campina Grande acha que viver na cidade mais importante, tida como a capital do forró, São João. Não há como negar que a cultura junina é forte em todo o nordeste, mas em Campina ela ganha ares superlativos. É muita festa, muito forró, muita banda e muita comida. A tradição junina é europeia mas com a cultura brasileira o culto aos três santos do mês de junho ganharam novos ares. Tem novena, trezena, casamento na roça, barraquinha com licor, milho, bolos, canjicas, pamonhas, mingaus, amendoim, laranja e tanto mais. Dá até vontade do ano andar mais rápido para começar tudo novamente.

Um pouquinho do Rio Grande do Norte e do Ceará: Voltamos para aquela mesmíssima viagem de dez anos atrás... Passei apenas dois dias em Natal, capital do Rio Grande do Norte em um hotelzinho perto da orla, e mais de uma semana no Ceará instalada em um ótimo apartamento alugado em plena beira mar de Fortaleza (Praia de Iracema), perto de uma sorveteria que deveria ter me proibido de tomar tanto sorvete. Sei que não deveria ser uma das minhas lembranças mais vívidas de Fortaleza (ainda mais para uma estudante de gastronomia), mas foi a primeira vez que vi uma filial do Habbib’s e com a grana de estudante era parada certa sempre. Esta mácula no meu currículo está tão presente quanto os deliciosos frutos do mar e o ótimo atendimento que tive na Praia do Futuro e os passeios de bugre nas praias do litoral. Fui a boas festas e fiquei impressionada com a qualidade de vida e os investimentos. Em Natal também gostei dos frutos do mar. Em nenhuma das duas cidades comi comida nordestina, mas também é o forte – a cultura do interior do homem sertanejo, da fé (vide Juazeiro do Norte de “Padinho Pade Cícero”) é muito presente. Destaque para o baião de dois no CE (corre na parte das fotos e das receitas e dá um look – recomendo!) e também no RN a carne do sol, queijo coalho (presente em todo nordeste, muito forte), manteiga de garrafa e a linguiça do sertão.  


A desigualdade na orla de Natal 


Devo e não nego info sobre o Maranhão e o Piauí – prometo que pesquiso e amanhã  volto com mais.... 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pratos Região Nordeste - Brasil

Paramos um pouquinho para a época das provas, mas voltamos com força total a cada semana com novas receitas. O Blog volta também com três novos componentes - Magno, Eliene e Ciça (tem foto na página de apresentação). Logo logo eles vão postar algo por aqui. Por hora ficam os pratos da aula prática sobre nordeste. Vale a pena testar as receitas. Muiiiito boas. Amanhã posto mais info sobre os oito estados do nordeste

Baião de dois


Cartola
- menos a Bahia (estado queridinho - com direito a aula separada).... 

Receitas - Brasil / Região Nordeste





Baião de Dois

Feijão de corda 0,200 Kg
Arroz Branco 0,075 Kg
Queijo Coalho 0,070 Kg
Manteiga de Garrafa 2 Cs
Bacon 0,050 Kg
Charque seca 0,100 Kg
Paio 0,040 Kg
Alho 1 unid.
Pimentão Verde 1 unid.
Cebola 1 unid.
Coentro, Cebolinha e Sal a gosto

Preparo:

1 - Dessalgue a carne seca de preferencia de um dia para o outro.
2 – Coloque a carne seca em uma panela e cozinhe até que fique macia, escorra e reserve.
3 – Coloque uma colher de manteiga em uma panela e doure o paio e o bacon.
4 – Acrescente o feijão, a carne seca, cubra com água e deixe cozinhar até que o feijão fique al dente.
5 – Em outra panela refogue a cebola e o alho cm o resto da manteiga. Acrescente o arroz e refogue, mexendo, por cinco minutos. Depois adicione à mistura ao feijão para que terminem de cozinhar juntos.
6 – Tempere com sal e cheiro verde e adicione o queijo coalho.

Cartola

Bananas da Prata 2 unids.
Manteiga 0,012 Kg
Requeijão 0,100 Kg
Canela em pó 0,015 Kg
Açúcar 1 cc

Preparo:

1 – Amasse as bananas usando a ponta dos dedos (antes retire o fio).
2 – Aqueça a manteiga e frite as bananas.
3 – Frite o requeijão e coloque sobre as bananas.
4 – Misture a canela e o açúcar e povilhe.